terça-feira, 24 de junho de 2008

Após conflitos em Roraima, Lula aumenta número de militares na fronteira da Amazônia

07/05/2008 - 18h31

Depois do acirramento dos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol (RR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira que o governo federal vai aumentar o número de postos militares nas áreas fronteiriças da Amazônia. A orientação de Lula foi transmitida hoje aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) para que ambos definam os números e os detalhes do texto do decreto a ser editado.

Tarso disse que os detalhes do decreto ainda não foram definidos, mas que nos próximos dias ele e Jobim fecharão os números. O ministro negou que a decisão tenha sido provocada pela pressão das Forças Armadas, especialmente do Exército --após as críticas do comandante militar na Amazônia, general Augusto Heleno, que condenou a política indigenista do governo federal.

"Eu e o ministro Jobim vamos trabalhar para apresentar ao presidente Lula um decreto para a instalação de mais postos militares na Amazônia. Vamos constituir um programa de aumento desses postos", afirmou Tarso, depois de se reunir com Lula, Jobim e o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, no Palácio do Planalto.

Após a decisão dos índios de deixar a fazenda Depósito, na reserva Raposa/Serra do Sol, na tarde de hoje --onde estava desde segunda-feira--, Tarso optou por negar que tenha ocorrido nos últimos dias um agravamento dos conflitos na região. Segundo ele, a tendência é de "distensão".

Tarso afirmou também que os homens da PF (Polícia Federal) e da FNS (Força Nacional de Segurança) estão orientados a executar a operação de desarmamento na reserva. De acordo com o ministro, aquele que for flagrado com arma, sem ter o porte legal, será preso.

Otimista, o ministro disse que está convencido que após o julgamento das ações envolvendo Raposa/Serra do Sol (RR), será possível encerra o impasse na região. "Estou convencido de que vai ser cumprido. Todos nós vamos seguir a orientação do Supremo Tribunal Federal. Esta é uma posição de Estado", disse ele.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u399595.shtml

Presidente da Funai diz que fim da demarcação contínua de RR ameaça outras reservas

20/05/2008 - 14h04

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, disse nesta terça-feira que o fim da demarcação contínua na reserva Raposa/Serra do Sol (RR) pode provocar uma série de ações judiciais que ameaçarão as demais áreas indígenas no país. Para o governador de Roraima, José de Anchieta (PSDB), que pensa de forma divergente a Meira, há um risco permanente na sua região de novos conflitos.

"Caso haja no Supremo [Tribunal Federal], de alguma forma, uma decisão que possa modificar [a homologação de forma contínua na reserva Raposa/Serra do Sol], isso pode significar um perigo para todas as outras terras indígenas que estariam ameaçadas [pela eventual medida do STF]. Isso pé uma ameaça que corresponde a um desafio à contemporaneidade", afirmou o presidente da Funai.

Meira e Anchieta participaram hoje de um seminário promovido pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre a polêmica que envolve a demarcação da reserva da Raposa/Serra do Sol. Apesar de divergentes, Meira e Anchieta não chegaram a discutir em público.

"Seja qual for a decisão do Supremo, nós temos medo dos desdobramentos. O desdobramento não será pacífico porque envolve partes antagônicas', disse Anchieta Júnior.

A previsão é que o julgamento no STF das ações sobre a Raposa/Serra do Sol ocorra até o dia 16 de junho.

O ministro-relator das ações sobre o assunto na Corte, Carlos Ayres Britto, prepara seu voto e informou ter prorrogado o prazo para conclusão porque recebeu petições das duas partes (contra e a favor da homologação de forma contínua) e mais documentos.

Por enquanto, homens da FNS (Força Nacional de Segurança) e da Polícia Federal são mantidos pelo governo federal na reserva como garantia da manutenção da ordem e de segurança. Há orientações para que desarmem as pessoas que transitam na região.

A principal dificuldade na reserva é do convívio entre arrozeiros e os indígenas de oito etnias diferentes. O governo federal foi proibido, em decisão liminar do STF, de retirar os produtores agrícolas que vivem em áreas na Raposa/Serra do Sol.

Audiências

Nos próximos dias, a OAB vai realizar um outro debate sobre a questão da reserva Raposa/Serra do Sol. Para o seminário serão convidados o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o general Augusto Heleno, comandante da Amazônia. Heleno foi alvo de polêmicas e chegou a ser convocado a vir a Brasília por ordem do presidente da República depois de criticar publicamente a política indigenista do governo.

O presidente da OAB, Cezar Britto, evitou se posicionar sobre a controvérsia. Segundo ele,a preocupação da entidade é com a segurança e a preservação de vidas dos que moram na região. "Qualquer decisão tomada pelo Supremo terá efeitos, a questão é muito delicada. É preciso prevenir e nós vamos atuar nesse limite", disse ele.

Durante a sessão, os conselheiros aprovaram uma decisão sugerindo o aumento do número de homens da Polícia Federal, do Exército e da FNS (Força Nacional de Segurança) na região da reserva Raposa/Serra do Sol. A iniciativa da OAB será comunicada ao ministro-relator das ações que tratam do assunto no STF e também encaminhada ao Ministério da Justiça.

A OAB quer ainda que a Polícia Federal investigue denúncias de assassinatos e mortes, sem explicações, registradas na reserva. O presidente da Funai, Márcio Meira, desconversou sobre as iniciativas da entidade, mas ressaltou que o convívio dos indígenas com os homens do Exército na reserva é pacífico.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u403747.shtml

Coronel do Exército ajudou arrozeiros na Raposa/Serra do Sol, diz PF

22/05/2008 - 09h48

Para a Polícia Federal há indícios de que um coronel da reserva do Exército ajudou arrozeiros --liderados pelo produtor e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM)-- a atacarem indígenas favoráveis à retirada de não-índios da reserva Raposa/Serra do Sol (RR). A PF também identificou dois pistoleiros do Pará que participaram diretamente da ação, ocorrida no último dia 5, que feriu nove índios.

A polícia suspeita que o coronel da reserva Gélio Augusto Fregapani e que outros dois militares (que não foram identificados) atuaram na logística de resistência dos arrozeiros, evidenciada pela tática de guerrilha usada no episódio.

Segundo policiais, as 149 bombas encontradas na Fazenda Depósito, propriedade de Quartiero, foram produzidas com o auxílio de militares.

Há a suspeita de que Gélio Fregapani preste serviço "técnico" à Associação dos Rizicultores de Roraima. O coronel é ex-funcionário concursado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Em 2005, ele produziu para a Abin relatório em que ataca a demarcação contínua. "É evidente o interesse estrangeiro na demarcação contínua", escreveu Fregapani.

"Temos indícios [da participação dos militares], estamos atrás de provas que confirmem a ajuda deles na guerrilha de Quartiero", disse à Folha o delegado Fernando Segóvia, responsável pela Operação Upatakon 3, iniciada em março para retirar não-índios da reserva.

O STF suspendeu a operação e deve julgar o mérito das ações até meados de junho.

O relatório assinado por Fregapani, conta Segóvia, reforça a suspeita de sua ligação com arrozeiros. Já os pistoleiros contratados por Quartiero tiveram participação direta no ataque, diz a PF. Eles estão foragidos. A PF mantém sigilo sobre nomes e local onde atuavam.

Quartiero nega que os arrozeiros da reserva receberam ajuda de militares e a contratação de pistoleiros do Pará. "Isso é folclore, é ilação." Porém, se disse amigo de Fregapani.

A reportagem ligou para celular e casa de Fregapani, em Brasília, mas não conseguiu localizá-lo. Procurada, a Abin não quis se manifestar. À Folha o Exército disse não haver "envolvimento de militares".

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u404419.shtml

CIR diz que arrozeiros usam táticas de guerrilha para impedir ação da Polícia Federal

04-Abr-2008

Os arrozeiros que ocupam a faixa sul da Raposa Serra do Sol utilizam táticas de guerrilha para impedir o cumprimento do decreto de homologação da terra indígena. De domingo até hoje já foram destruídas três pontes, lançadas bombas caseiras e duas pessoas foram feitas reféns na região.

Com o inicio da Operação Upatakon 3, no dia 27 de março, diversas manifestações contrárias à operação foram realizadas no Estado. As manifestações começaram no dia 30 quando populares bloquearam por mais de 2 horas a ponte do Cauamé na BR-174 (entrada de Boa Vista), pedindo a retirada imediata dos policiais federais no Estado.
Ainda no dia 30, dois ônibus com aproximadamente 70 ‘sem-teto’ da invasão "Brigadeiro", de Boa Vista, chegaram ao Surumu para apoiar os rizicultores. Para integrar os protestos, eles teriam sido enganados com a promessa de doação de terras em Pacaraima.
Na segunda-feira, 31, a manifestação se concentrou na Raposa Serra do Sol, principalmente na região de Surumu. Naquele dia, as pontes de madeira do igarapé Araçá e do Araújo, que ligam Pacaraima a Surumu foram queimadas para impedir a chegada dos agentes federais.
No mesmo dia, a ponte do rio Surumu foi bloqueada por indígenas contrários à homologação, apoiados por rizicultores. Tratores, carretas e colheitadeiras agrícolas foram estacionadas em cima da ponte impedindo o acesso ao local. As maquinas continuam no local até hoje.
A PF chegou à ponte para desobstruí-la, mas declinou da intenção devido a presença de mulheres e crianças. No entanto, segundo a PF, os agentes teriam sido hostilizados pelo rizicultor Paulo César Quartiero, que foi preso em flagrante por desacato, desobediência e bloqueio de via pública. Conduzido a Boa Vista ele foi liberado após pagar fiança de R$ 500.
Renato Quartieiro, filho do rizicultor foi ferido na mão, tórax e no rosto por um artefato explosivo quando tentava lança-lo contra os policiais. Ele foi atendido no hospital geral em Boa Vista e está fora de perigo.
Durante a noite, o tuxaua da aldeia do Barro (área da antiga vila Surumu) foi atingido por uma bomba caseira lançada por um motoqueiro na porta da sua maloca (casa). Ele foi socorrido pela família e no outro dia removido de avião para atendimento em Boa Vista. Atendido no hospital geral ele foi liberado em seguida.
Ainda no dia 31, o coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Dionito José de Souza, promoveu uma reunião com a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Advocacia Geral da União, Funai e Comitê Gestor da Presidência da República. Dionito solicitou proteção às comunidades da Raposa Serra do Sol. As autoridades garantiram que a Operação não vai parar por pressão dos arrozeiros.
No dia 1° de abril, o governador Anchieta Júnior, junto como secretário de segurança Cláudio Lima, foram até Surumu e reuniram-se com os manifestantes em busca de um acordo de paz. A resposta foi negativa. No mesmo dia, os manifestantes bloquearam a ponte do rio Cotingo que fica localizada próxima à maloca do Contão, isolando completamente o acesso às lavouras de arroz.
No dia 2 de abril, o CIR foi informado que a ponte sobre o igarapé Grande, acesso para Normandia teve os pilares serrados com moto-serra e que a cabeceira da ponte do rio Surumu foi destruída com explosivos utilizado pelos manifestantes.
O tuxaua do Barro, relatou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que homens estão andando livremente pela aldeia armados com pistolas, rifles e revólveres, além de estarem fabricando bombas caseiras a partir de explosivos, pregos e pedaços de vidro.
Ainda no dia 2, dois homens foram feitos reféns dos manifestantes em Surumu. Os líderes dos protestos suspeitaram que eles seriam espiões da PF infiltrados na região. Após duas horas de cárcere eles foram liberados.
A Polícia Federal não divulga a data de concretização da Operação Upatakon 3 e a efetiva retirada dos arrozeiros, mas todos os dias chegam mais agentes em Boa Vista.
Apesar dos riscos que corre as comunidades, o CIR reforça a necessidade urgente da retirada dos arrozeiros. A organização acredita que as instituições do Estado vão fazer cumprira lei e amparar os direitos indígenas.

http://www.roraimaemfoco.com/site/content/view/1252/45/

Ex-porta-voz diz que Bush escondeu a verdade sobre Iraque

28/05/2008 - 16h12

WASHINGTON (Reuters) - Em um novo livro que promete causar polêmica, Scott McClellan, ex-porta-voz do governo dos EUA, acusou o presidente George W. Bush e seus principais assessores de esconder a verdade para defender a necessidade da guerra contra o Iraque.

McClellan, o primeiro membro do governo Bush a escrever um livro criticando o dirigente (que é texano como o ex-porta-voz), atraiu na quarta-feira críticas de seus ex-colegas da Casa Branca. Eles questionaram porque o porta-voz continuou no cargo se tinha essas opiniões, até agora desconhecidas.

"Se ele acredita que agradará a seus adversários, está redondamente enganado. E, infelizmente, ele acaba de perder os únicos amigos que tinha", afirmou Dan Bartlett, que trabalhou como conselheiro da Casa Branca.

McClellan, no livro "What Happened -- Inside the Bush White House and Washington's Culture of Deception" (Por dentro da Casa Branca de Bush e da cultura de logro de Washington), descreve-se como um antes admirador sincero de Bush que, por engano, viu-se ao lado da "campanha para vender a guerra" no Iraque.

O ex-porta-voz, que argumentou veementemente a respeito da necessidade da guerra quando falava aos microfones da Casa Branca, escreveu que a decisão de invadir o país árabe havia sido um "erro fatídico."

"Segundo acredito, a guerra só deveria ser travada quando necessária, e a guerra do Iraque não foi necessária", afirmou.

DÍVIDA COM O PAI

McClellan descreveu Bush como um "homem com carisma pessoal, perspicácia e uma enorme habilidade política", um homem "mais do que inteligente para ser presidente." Ao mesmo tempo, o ex-porta-voz dissemina críticas ao antigo patrão nas 341 páginas do livro.

"O presidente tinha prometido a si mesmo que conseguiria realizar o que seu pai não havia conseguido ao conquistar um segundo mandato", escreveu McClellan.

"E isso significava estar o tempo todo em campanha, nunca explicar nada, nunca desculpar-se, nunca voltar atrás. Infelizmente, essa estratégia implicou em outras consequências menos justificáveis: nunca refletir, nunca reconsiderar, nunca ceder. Especialmente quando se tratava do Iraque."

Em 2006, McClellan foi substituído no cargo de secretário de imprensa da Casa Branca por Tony Snow. E Snow deu lugar a Dana Perino há cerca de um ano. Perino criticou McClellan.

"Scott, agora descobrimos isso, ficou desapontado com sua passagem pela Casa Branca. Para os que, como nós, lhe dávamos um apoio incondicional antes, durante e depois de seu período como secretário de imprensa, isso provoca espanto. Isso é triste. Esse não é o Scott que conhecíamos", escreveu a atual porta-voz em um e-mail enviado a repórteres.

"O livro, segundo o divulgado pelos meios de comunicação, foi descrito ao presidente. Não acredito que ele se manifestará a esse respeito. Ele tem assuntos mais prementes para lidar do que fazer comentários sobre livros de ex-funcionários", disse ela.

Os EUA invadiram o Iraque sob a acusação de que o então ditador iraquiano, Saddam Hussein, possuía armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas. Bush começou a defender a necessidade de invadir o território iraquiano em 2002, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.

McClellan, em um capítulo chamado "Vendendo a Guerra," disse que Bush e seus principais assessores não avaliaram direito as implicações do conflito, preferindo ao invés disso defender a necessidade da guerra manipulando a opinião pública.

Segundo o ex-porta-voz, Bush e seus assessores não lançaram mão de uma estratégia aberta de enganação, mas fizeram esforços para "esconder a verdade, minorando o principal motivo para iniciar a guerra e enfatizando uma motivação menos importante que poderia ser enfrentada de outras formas (por meio de pressões diplomáticas mais intensas, por exemplo)."

http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2008/05/28/ult729u74375.jhtm

domingo, 22 de junho de 2008

Hino da Independência do Brasil

Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade,
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil;
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil;
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiros!
Já, com garbo juvenil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil;
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Podem assitir o video com o Hino aqui:



http://br.youtube.com/watch?v=eG3fvVrMXwk&feature=related

sábado, 21 de junho de 2008

Índios querem independência

16 jun. 2008

Declaração da ONU faz tribos brasileiras se comportarem como se já fossem países autônomos

Carlos Newton (TI)

Em setembro de 2007, o Brasil assinou a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, um tratado internacional que reconhece o direito das tribos se transformarem em países independentes, com governo autônomo, leis próprias e domínio total sobre seus territórios, onde nem mesmo as Forças Armadas brasileiras poderiam ingressar.

Esse tratado, para entrar em vigor no País, precisa ser ratificado pelo Congresso. Porém, antes mesmo que isso aconteça, diversas tribos começam a se comportar como se já tivessem conquistado independência em relação ao Brasil.

É o caso da etnia macuxi, que exige a demarcação em área contínua da polêmica reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os índios dessa tribo, que são todos aculturados, já se julgam independentes e querem fazer denúncias diretamente à Organização dos Estados Americanos, como se fossem representantes de um estado-membro da OEA.

Na verdade, eles nem obedecem mais às leis brasileiras e recentemente o cacique Edson Alves Macuxi fez uma ameaça ao Poder Judiciário. Em entrevista a vários jornais, o líder indígena afirmou: "Se o Supremo decidir contra os índios, vamos reunir cinco mil guerreiros e fazer a desocupação de nossa terra na marra".

Racismo

O advogado Celso Serra, um dos maiores especialistas na questão indígena, afirma que o comportamento do cacique macuxi mostra que as tribos de Roraima já se consideram acima das leis do Brasil. "Basta lembrar que os caciques desta etnia decidiram passar a impedir que as mulheres de suas tribos se casem com outros brasileiros não-índios, num desrespeito às leis contra o racismo", acentua.

Em sua opinião, existe mesmo um complô para internacionalizar a Amazônia e o primeiro passo é o movimento para dar independência às tribos, nos termos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que a delegação do Brasil na ONU aceitou de forma desastrada e equivocada, por não saber que os termos do tratado, se fossem ratificados pelo Congresso, seriam incorporados à Constituição e teriam de ser obrigatoriamente cumpridos, nos termos do art. 5º, parágrafo 3º.

Para comprovar sua tese sobre o complô, Serra cita declarações feitas semana passada por Rodolfo Stavenhagen, ex-relator da ONU para os Direitos Humanos dos Povos Indígenas, que deu uma palestra sobre os direitos dos índios na Universidade de Brasília (UnB)

Stavenhagen, que atualmente está baseado no México, afirmou que os índios da Reserva Raposa Serra do Sol podem abrir um processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos, se a área da reserva sofrer alteração e o caso for levado à instância internacional. E adiantou que a sentença lhes será favorável.

Precedente

O advogado Celso Serra, que comanda os estudos da Maçonaria brasileira sobre a questão indígena, como integrante da histórica Loja Dous de Dezembro, afirma que Stavenhagen comparou a situação de Roraima a um problema que aconteceu em 2001, na Nicarágua, com a comunidade indígena mayagna, que teve sua reserva ameaçada por concessões de exploração dadas pelo governo a companhias estrangeiras. Os índios apresentaram o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconheceu o direito histórico dos indígenas à terra disputada.

Stavenhagen disse que "foi um divisor de águas na jurisprudência internacional, a primeira vez que a Corte Interamericana de Direitos Humanos assumiu a defesa aberta dos direitos dos povos indígenas", e acrescentou que "essa sentença é válida para o Brasil".

Porém, na opinião de Celso Serra, o ex-relator da ONU está equivocado e age de má fé, porque compara situações completamente diferentes. "Stavenhagen está se intrometendo em assuntos internos do Brasil que não são de sua alçada.

Ele disse que usará a visita ao Brasil para reunir dados sobre o caso que apresentará a seu sucessor, o atual relator da ONU para povos indígenas, James Anaya, e ao Conselho de Direitos Humanos da entidade", revela Serra, assinalando que essa posição do funcionário da ONU é inaceitável. "O governo brasileiro precisa agir com rigor contra esse tipo de interferência externa", recomenda.

Supremo

A demarcação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol está aguardando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, admitiu, no início do mês, que o caso pode ficar para o segundo semestre. "Não sei se ainda conseguimos julgar isso neste semestre porque temos uma série de documentos, que o relator (ministro Carlos Ayres Britto) recebeu de ambas as partes, de todos os lados. Mas ele vai certamente trazer esse tema à consideração", disse Gilmar Mendes.

O ministro, no entanto, não descartou a possibilidade de o Supremo decidir sobre a demarcação ainda este semestre. "Se nós não julgarmos em junho vamos fazê-lo em agosto", disse. "Nos devemos julgar nos próximos tempos, não sei se ainda neste semestre, mas talvez no próximo", completou.

Enquanto o STF não decide a questão, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol é palco de conflitos entre índios e fazendeiros. O presidente da Associação de Arrozeiros da reserva, Paulo César Quartiero, chegou a ser preso pela Polícia Federal e dez índios que vivem na região foram baleados por funcionários da fazenda dele.

Vários fazendeiros já deixaram a área, sendo que muitos reclamam que tiveram prejuízos. É o caso do

ONU apóia internacionalização da Amazônia

A campanha para internacionalizar a Amazônia agora se esconde sob o manto da criação da chamada "Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente". O movimento para formar essa ONU ecológica é comandado pelo governo da França, que desde a gestão do presidente François Mitterrand insiste em pretender que a maior floresta do mundo seja transformada em patrimônio comum da humanidade, a pretexto de preservar o meio ambiente mundial.

Outros importantes países estão ao lado da França nesse movimento, principalmente a Grã-Bretanha. Em outubro de 2006, uma proposta oficial elaborada pelo então primeiro-ministro Tony Blair estava pronta para ser inserida na pauta de um congresso internacional sobre mudança climática, em Monterrey, no México, reunindo os governos dos 20 países mais poluidores do mundo, que nem se deram ao trabalho de convidar os principais interessados - as nações da Amazônia, em particular o Brasil, que detém a maior parte da floresta.

A informação foi vazada pelo próprio secretário do Ambiente do Reino Unido, David Miliband, ao jornal "Daily Telegraph". À época, Milliband revelou que o plano do governo Tony Blair propunha uma "privatização completa da Amazônia" para evitar desmatamento e combater as emissões de gases-estufa. A proposta previa que uma grande área da região passaria a ser administrada por um consórcio internacional. Grupos ou mesmo pessoas físicas poderiam então comprar árvores da floresta, a pretexto de preservá-la.

Reação

Na entrevista ao "Daily Telegraph", o então secretário do Ambiente do Reino Unido disse que o primeiro-ministro Tony Blair reconhecia que a idéia poderia levantar "questões de soberania" com o Brasil. Foi exatamente o que aconteceu. Quando a notícia foi publicada, o governo brasileiro imediatamente protestou.

Diante da reação que o plano britânico causou em Brasília, o então porta-voz do Departamento do Ambiente do Reino Unido, Penny Fox, se apressou em afirmar que a proposta não fora colocada para discussão em Monterrey, num desmentido que sequer pôde ser comprovado, devido ao sigilo que cerca essas reuniões das grandes potências.

O vazamento da informação sobre o plano britânico apenas evidenciou o recrudescimento da campanha para internacionalizar a Amazônia. Na mesma época, também o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, propôs que se recorra a organismos internacionais para frear a destruição de "um bem público mundial", advertindo que o "Brasil tem que responder pela grave destruição da floresta amazônica".

http://www.correaneto.com.br/noticias/06/16_6_08indios.htm